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Disputa por talentos

Gente talentosa será o recurso pelo qual as organizações travarão suas maiores disputas no futuro. É o que aponta o relatório da PricewaterhouseCoopers Managing Tomorrow's People: The Future of Work to 2020, (Gerindo as Pessoas do Amanhã: O Futuro do Trabalho em 2020).

"Os recursos pelos quais as grandes empresas estarão competindo mais do que tudo no futuro serão as pessoas com as habilidades desejadas. Mas existe uma preocupante ausência no pensamento da alta gestão em como esse desafio será encarado, levando em conta, sobretudo, as significativas mudanças de expectativas dos futuros integrantes da força de trabalho", comenta Michael Rendell, sócio da PricewaterhouseCoopers LLP, que prevê que o capital humano pode ser um fator determinante para sobrevivência das companhias. "As empresas que não assegurarem a viabilidade da trajetória de suas pessoas se verão em maus lençóis ou até mesmo serão extintas nas próximas duas décadas", vislumbra. 

O relatório chama a atenção para um descompasso entre as habilidades desejadas e o ritmo empreendido pelos negócios: "O sonho de massas de trabalhadores altamente qualificados desaguando nos mercados de trabalho ocidentais e preenchendo os gaps de competências não se materializou. Economias como as da China e da Índia estão se desenvolvendo a taxas em que elas estão absorvendo a maioria dos talentos domésticos disponíveis", descreve o estudo.

E cita um trabalho da PricewaterhouseCoopers para a Comissão Européia, que mostra que, mesmo dentro de um mercado econômico comum, a mobilidade não se dá de modo imediato. "As pessoas não se movem tão prontamente - muito menos as pessoas com as habilidades e a experiência que as multinacionais desejariam. As empresas precisam trabalhar mais arduamente para recrutar as pessoas certas e segurar os talentos que já possuem", aponta.

Depoimentos no relatório atestam essa situação. "Nossa procura por talento é agora uma procura global. A competição por talentos só irá aumentar", diz Hanspeter Horsch, sócio-diretor de Recursos Humanos da Semiconductor Europe GmbH. Outros, como Hughes Fourault, diretor global de remuneração, benefícios e mobilidade internacional da Société General, afirma que a preparação no âmbito das pessoas para o futuro está sendo contemplada inclusive com um trabalho de branding pelo qual a companhia passa: "Estamos desenvolvendo uma marca, refletindo nossa identidade empresarial e promovendo nosso compromisso de longo prazo com nossos funcionários".

Um aspecto observado pelo estudo é a necessidade de gerir uma nova geração de pessoas, denominada "millenials", que chega ao mercado de trabalho com expectativas e anseios diferentes das anteriores. Essa mudança demandará uma atenção especial dos profissionais de recursos humanos, além de não perder de vista os resultados. "O RH continuará aumentando seu alinhamento com os negócios, com maior responsabilidade em alcançar objetivos corporativos específicos. Isso aumentará a necessidade de o RH quantificar aquilo que se refere ao modo como contribuímos para os resultados. Mas também precisaremos nos preparar para uma nova geração que chega ao mercado de trabalho. É uma geração muito mais móvel, com expectativas que diferem das de uma empresa, e nós precisaremos nos adaptar a essa realidade", diz Michael Poulten, gestor de pessoas, remuneração e benefícios da Tesco Stores, ao expor a sua projeção para a função de RH em 2020.

Para aferir as expectativas dos novos profissionais em relação ao trabalho e à carreira, o estudo da PwC também inclui uma pesquisa feita com 300 graduados da China, Reino Unido e EUA, todos prestes a ingressar nas maiores empresas de serviços do mundo. Os profissionais do amanhã esperam encontrar um comportamento responsável de seus empregadores, utilizar outros idiomas e trabalhar em outros países bem mais do que as gerações anteriores. Não está na expectativa desses profissionais, segundo a pesquisa, contar com horários flexíveis e trabalhar em casa.

Mais de um terço dos entrevistados no Reino Unido espera utilizar outro idioma no trabalho além do inglês, o que desafia a percepção de que o aprendizado de línguas está declinando nas universidades de lá. Entre os chineses, 90% acreditam que irão utilizar um outro idioma além do nativo. De acordo com a pesquisa, os EUA são o país com os jovens mais idealistas: 90% afirmam que irão procurar ativamente empresas cujo comportamento de responsabilidade corporativa tenha que ver com eles próprios. A China não fica muito atrás, e no Reino Unido o índice foi de 71%.

Pular de empresa em empresa é um mito, de acordo com o grupo pesquisado. Dos entrevistados, 78,4% estimam que terão de dois a cinco empregadores em suas trajetórias profissionais, o que indica que estabilidade e segurança são aspectos valorizados. Uma média de 5,5% dos respondentes espera passar por mais de dez empresas ao longo de suas carreiras. Entre as mulheres chinesas, esse número chega a 11,5%.

A pesquisa mostra que apenas 5% acreditam que trabalharão a maior parte do tempo em casa. O índice aumenta para 7,4% na China, mas fica em exíguos 0,6% no Reino Unido. Entre os entrevistados, 75% esperam passar o expediente no escritório.

Rendell, da PwC LLP, sublinha as atribuições da alta gestão para os próximos anos: "Já foi dito que o futuro não é um lugar aonde vamos, mas um lugar que ajudamos a criar. O desafio para as empresas é criar uma plataforma de geração de empregos e gestão de talentos suficientemente corajosa para olhar além do médio prazo e focar qual tipo de organização vão querer ser daqui a 15 anos - quando as pessoas recém-contratadas estarão liderando os negócios".

Fonte : Revista Melhor

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A VANTAGEM COMPETITIVA DAS EMPRESAS ESTÁ NAS PESSOAS.

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