Um número cada vez maior de empresas começa a adotar práticas que visam a democratização do conhecimento como forma de obter vantagem competitiva
Luís Fernando Guidi
Com o surgimento da internet e a globalização como uma realidade, o conhecimento, principal valor intangível das empresas, pôde circular de maneira mais rápida e se democratizar na sociedade e no interior das companhias. Mas como ter políticas e práticas para proteger, reter e disseminar, de forma sistêmica, esse recurso presente na cabeça das pessoas e nos processos e demandas dos departamentos? Rever modelos de gestão para trabalhar mais efetivamente com a matéria-prima "conhecimento" exigia dinâmicas próprias que precisavam ser entendidas no contexto organizacional. A partir daí foi que a gestão do conhecimento (KM, do inglês Knowledge Management) surgiu para tentar implementar processos que pudessem organizar e facilitar o acesso ao conhecimento. No entanto, apenas "saber muito" sobre alguma coisa não proporciona vantagem competitiva, mas sim quando aliado a sua gestão é que resultados aparecem, podendo ser traduzidos efetivamente em redução de erros, decisões mais fundamentadas, aumento da inovação, melhor ambiente de trabalho, e, claro, mais lucratividade.
José Cláudio Terra, consultor e presidente da TerraForum, empresa especializada em treinamento e consultoria em gestão do conhecimento, foi um dos pioneiros em KM no Brasil. Ele lembra que o país demorou mais de dez anos - em relação aos EUA - para começar a tratar o assunto de forma estratégica. "Há três anos, discutíamos KM com gerentes. Hoje, o nível é executivo", compara Terra. Quando se lida com conhecimento organizacional, ter políticas claras para identificação e proteção dos ativos é essencial. Qual o conhecimento que se precisa proteger? Onde há oportunidades de transferir o conhecimento na organização e gerar resultados econômicos? Quais são as pessoas que deveriam colaborar mais e não estão? Onde encontramos o conhecimento de alto valor e que está sendo pouco utilizado pela organização? Quais são os processos que se tem para criar inovação sistemática e não ao acaso? "Essas respostas, que devem ser respondidas pelo nível mais alto das empresas, indicam o caminho inicial para a efetiva aplicação da gestão", explica Terra.
Todo o conceito de KM parte da premissa de que o conhecimento existente na empresa - seja ele nos departamentos, processos ou nas pessoas - pertence à organização. Mas garantir que colaboradores vão compartilhar "seu conhecimento", sem que isso gere neles uma sensação de "perda de poder", é algo que demanda políticas claras de incentivo. "As pessoas são as grandes beneficiadas com a gestão do conhecimento. Você aprende muito mais em um curto espaço de tempo", enfatiza Terra. Mas também é fato que organizações mais tradicionais não valorizam de forma clara aqueles que partilham o que sabem e nem provêem as condições organizacionais e de infra-estrutura para que isso aconteça.
Para o RH, o conhecimento sempre esteve associado a plano de carreira, mapas de competência, treinamento ou universidades corporativas. Tudo isso mudou. O profissional da área terá de entender mais de tecnologia e de sua aplicabilidade, ou seja, trabalhar de forma mais efetiva os portais de busca, mecanismos de colaboração virtual, comunidades virtuais, blogs, wikis e uma série de novas ferramentas que entram no universo corporativo e que cumprem um papel na transferência e acesso à informação e ao conhecimento. "O RH deve começar a se envolver mais com ativos intangíveis", diz Terra. Para ele, é preciso que o RH entenda o que a gestão do conhecimento pode significar em termos de valor de mercado para empresa, como proteger informações estratégicas e saber que muitas vezes esse processo envolve pessoas que detêm conhecimentos que ninguém na organização tem. Naturalmente, o RH já tem um papel forte nisso, mas deve-se adquirir, a partir de agora, uma dimensão cultural.
Integrando pessoas e departamentos
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| Terra, da TerraForum: na gestão do conhecimento, o RH deve entender mais de tecnologia e de ferramentas de colaboração |
Embora ainda estejamos aprendendo a lidar com a gestão do conhecimento, sabemos que se trata de um caminho sem volta. Saímos da era industrial, em que o trabalho braçal prevalecia, para entramos na era do conhecimento, na qual a tecnologia, o pensamento e o saber fazem a diferença. Isso significa que empresas que possuem boas e estruturadas práticas de KM podem usar o poder democratizador das novas tecnologias para o aprendizado contínuo e coletivo. Na prática, poucas possuem processos estruturados em KM que conseguem envolver todas as áreas e pessoas da organização. O que se observa é que as iniciativas ainda partem dos departamentos como forma de tê-los funcionando melhor, mas em algumas grandes companhias já se percebe o engajamento de áreas afins com o intuito de aplicar a cultura de KM além de boas iniciativas que, num futuro próximo, poderão ser vistas como os primeiros passos de uma gestão que renderá bons frutos. A internet e os portais corporativos parecem ser um caminho natural, mas não são os únicos.
Há pouco mais de um ano, a então Companhia Vale do Rio Doce, hoje, Vale, sentiu a necessidade de estruturar um programa que pudesse integrar departamentos para que ações geradas não se perdessem e a empresa pudesse ter noção do todo. Foi criada, então, uma equipe multifuncional com duas diretorias: RH e TI. "Gerir conhecimento é algo novo e deve ser intencional.
Iniciativas vão se combinando até o momento em que há necessidade de sistematizar e integrar o que vem sendo feito", analisa Ana Cláudia Freire, coordenadora de tecnologia educacional e conhecimento da Vale. O processo de KM naquela empresa tem quatro pilares: disseminação, retenção, utilização para inovação e proteção. Com um expressivo número de novos funcionários e outros prestes a se aposentar, a Vale verificou que a transferência do conhecimento teria de ser priorizada. Na unidade de operação ferroviária, uma das mais importantes para a empresa, Ana Cláudia conta que foi criado o programa Educadores pra Valer que envolveu colaboradores de nível técnico e especialistas. "Profissionais estratégicos como os que lidam com manobra de locomotivas e sistemas de freio receberam um material didático-pedagógico de formação para transmitir conteúdo de forma presencial. Com isso, o educador pôde disseminar um conhecimento que era crítico para a área de negócios e que estava somente na cabeça dele", diz. Para uma empresa do porte da Vale, presente em 13 estados brasileiros e em 32 países nos cinco continentes, o maior desafio é promover a aproximação entre pessoas, já que se esbarra na distância física, cultura e línguas diferentes. Stella Michirefe, arquiteta de tecnologia da informação da companhia, diz que existem ferramentas de colaboração que ajudam na interação e busca por informações de forma mais rápida, mas tudo isso não adianta se não houver engajamento.
"Essa parceria com o RH buscou disponibilizar ferramentas e envolver as pessoas de forma presencial. Conseguimos ter bons resultados como número de acessos, o quanto o processo tem acelerado a aprendizagem e quais assuntos precisam ser reforçados", conta.
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| Ana Claudia, da Vale: gerir conhecimento é algo novo e deve ser intencional |
Ter o seu próprio departamento de KM pode significar uma melhor articulação das ferramentas de informação usadas por seus stakeholders. O Sebrae-SP prestava consultoria para mais de quatro milhões de empreendedores e não havia mais espaço físico para o atendimento presencial. O portal, que era totalmente voltado para o institucional, foi reformulado e passou a prover informação e conteúdo virtual para empresários do Brasil e do exterior. "Passamos a contar com mais de oito milhões de downloads anuais", conta Manfredo Arkchimor Paes, gerente de gestão do conhecimento do Sebrae-SP.
Uma das grandes vantagens do uso dos portais para ordenar o capital intelectual é que a sua utilização permite usar uma mesma base de conhecimento distribuindo-a de forma seletiva e adequada às necessidades dos usuários. A equipe do departamento de KM do Sebrae-SP é composta por nove pessoas que executam processos que vão desde a identificação, retenção, adequação de linguagem, classificação e, finalmente, a disseminação da informação. É um caminho complexo que envolve a área de TI e articula encontros com outras áreas da empresa. "O desafio é grande já que a gestão do conhecimento não é uma unidade provedora, pois o conhecimento está na cabeça das pessoas. A nossa função é de liderar e fazer com que as áreas promovam a sua própria gestão", explica Paes. Todo o conhecimento "tratado" pelo departamento é hoje repassado por meio de vários canais a fim de atender de forma integrada seus colaboradores, empreendedores, fornecedores, novos talentos, pesquisadores e disponibilizando em seu portal corporativo textos, artigos, estudos e até uma biblioteca virtual.
Desafios na administração pública
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| Paes, do Sebrae-SP: função de liderança para que outras áreas promovam a sua própria gestão do conhecimento |
Se, para as instituições privadas, KM significa um valioso recurso estratégico na obtenção de vantagem competitiva, nas públicas, representa, entre outras coisas, realizar atendimento de forma mais eficaz, rápida e menos burocrática para a população. Em países como o Canadá, por exemplo, os cidadãos têm acesso a qualquer tipo de informação gerada pelos servidores públicos, inclusive troca de e-mails. No governo do estado de São Paulo existe, desde outubro do ano passado, o Grupo de Apoio Técnico à Inovação (Gati ), subordinado à Secretaria de Gestão Pública. Um banho de tecnologia foi o primeiro passo e, agora, a idéia é avançar na área de governo eletrônico e capacitar servidores no uso correto de ferramentas de KM, que não só as tecnológicas. O Gati apresentou uma série de estudos mostrando que uma evolução nesse quesito só se dará em dez anos e se forem utilizados processos em KM e inovação. "No Brasil e em outros países, a quantidade de recursos investidos na área de governo eletrônico pouco se traduzem em benefícios totalmente on-line para a população", conta o coordenador do grupo, Roberto Agune. Para ele, outras dimensões têm de ser contempladas para que se promova uma verdadeira reengenharia no modo de prestar serviços adequados à sociedade. "O desafio é incentivar gestores públicos a tocar em questões mais abrangentes como as pessoas, simplificação de processos, desburocratização e integração de base de dados", diz. Em São Paulo, existem mais de 700 mil servidores com idade média de 42 anos. Criar políticas de incentivo que promovam o compartilhamento do conhecimento existente na cabeça de cada um é o próximo passo do Gati. "Se eles forem devidamente envolvidos nesses programas de modernização da gestão pública, certamente os resultados serão outros", finaliza Agune.
Mas a grande barreira apontada por todos os entrevistados foi a questão da mudança cultural nas organizações. Para Terra, que é autor de vários livros sobre o assunto, as empresas devem entender que a gestão do conhecimento não é como um projeto (de portal ou mesmo um plano de treinamento), mas um desenvolvimento sustentado de competências e trocas de experiências e conhecimentos estratégicos. "Quando se aplica a gestão do conhecimento, deve-se mudar o modelo cultural da organização. Ela deve ter menos níveis hierárquicos onde a comunicação flua de maneira mais eficiente, onde as pessoas serão avaliadas não apenas pelo cumprimento de sua função, mas também pela contribuição que trazem para o capital intelectual da organização", enfatiza o consultor. "Você deixa de entender o indivíduo associado a seu cargo e o vê com uma identidade que tem conhecimentos e experiências que podem ser utilizadas pela organização. A partir daí ele pode colocar todo esse conhecimento a serviço dos projetos e processos da organização, independentemente de onde eles estejam localizados", acrescenta Ana Paula Freire, da Vale.
Para gerar (e gerenciar) saberes
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Confira algumas práticas para a produção de conhecimento, de acordo com o consultor José Cláudio Terra:
1 - Estabelecer desafios de aprendizado: é papel de líderes antenados com seu entorno detectar novos padrões, tecnologias emergentes e hábitos mutantes que possam alterar o cenário competitivo de suas organizações. Na Era do Conhecimento, mudanças estão invariavelmente associadas a novos desafios de aprendizado. Isso significa que, ao detectar oportunidades de mudanças, líderes têm a obrigação de alertar, despertar, motivar e apoioar profissionais para o aprendizado e produção de conhecimento em áreas de conhecimento estratégico. É amplamente conhecido o fato de que desafios, valorização de resultados e paixão por um tema formam um trio explosivo. Desafiar, por sua vez, guarda uma tênue separação do conceito de pressionar. O trabalho físico da Era Industrial podia ser mais produtivo pela pressão. O trabalho do conhecimento obedece, no entanto, muito mais à lógica do desafio.
2 - Foco no talento e na diversidade: focar no talento na Era do Conhecimento, ao contrário do que alguns proclamam, não é simplesmente viver em torno da máxima: contrate os melhores e tenha processos internos que os premiem e dispense os piores. Por incrível que pareça, vários livros de sucesso foram escritos e bem vendidos apenas com esse adágio. Não discordando desses preceitos, cremos que na Era do Conhecimento o desafio é encontrar pessoas que estejam dispostas a construir coletivamente o conhecimento organizacional a partir da sua interação em fluxos criativos, inovadores e produtivos. Isso significa compreender a natureza claramente social tanto do conhecimento individual quanto do coletivo. Com base no reconhecimento e na valorização da variedade, por sua vez, torna-se muito mais fácil encontrar talentos. Uma coisa é vir com métricas e conceitos preestabelecidos do que seja um talento, outra, bem diferente, é ter mentes e ouvidos para detectar talentos não óbvios e descobrir como inseri-los no melting pot organizacional, buscando a geração de valor para o indivíduo e para a empresa.
3 - Parar a ilha de montagem: um dos aspectos mais difíceis para quem ocupa posições de liderança é lidar com o constante conflito entre o curto e o longo prazo; entre o produzir e criar o novo; entre o estabelecer deadlines e dar tempo para a criatividade se expressar. Não há mágica, no entanto, quando o assunto é produção de conhecimento e, muitas vezes, parar significa ir para a frente, uma vez que envolve inputs de informação e experiências. Mas o principal, na verdade, é a produção de energia potencial para a ação, que ocorre a partir de síntese, reconfiguração e questionamentos. Nesse sentido, é essencial que líderes compreendam que, para competir na base do conhecimento, é preciso parar a linha de montagem de tempos em tempos, o que resulta, invariavelmente, em um excelente investimento.
4 - Abrir a organização: um dos quocientes que ainda precisaria ser incorporado às métricas tradicionais, mesmo aquelas do Balance Scorecard, é o grau de abertura da organização aos fluxos de informação, conhecimento e experiências com o ambiente externo. Não importa o tamanho, é impossível imaginar que uma organização consiga produzir todo o conhecimento de que precisa nos dias de hoje. Assim, é crítico tornar a organização mais porosa ao mesmo tempo que se desenvolve uma consciência sobre propriedade intelectual e ativos intangíveis. A crescente necessidade de proteção de conhecimentos competitivos e ativos intangíveis não pode ser uma desculpa para a organização se fechar ao ambiente. É preciso estabelecer pontes com outras empresas, parceiros, clientes, fornecedores, consultores e universidades. Isso inclui desde parcerias estratégicas e formais até encontros informais e sistemáticos com vários grupos de agentes externos para tratar, dialogar e trocar conhecimentos sobre assuntos diretamente relacionados aos negócios ou a novos aprendizados, que aparentemente não tenham uma relação ou aplicação imediata aos interesses da empresa. Enfim, trata-se de fomentar um ecossistema de aprendizado e abrir espaços para o inesperado, para a criatividade e inovação.
5 - Incentivar contatos diretos com os clientes: a questão, neste item, é parecida à do ítem anterior, mas a dinâmica destacada é outra. É bem estudado o fato de que a maior parte das inovações de produto advém dos próprios clientes. Empresas japonesas chegam a enviar todos os seus funcionários uma vez por ano para visitar os clientes. A lógica é que só se aprende e se desenvolvem novos insights a partir da socialização efetiva com clientes. Conhecimentos complexos não podem ser transmitidos apenas por meio da rápida troca de informações que algumas pessoas são levadas a realizar em função da lógica industrial dp call report. Organizações orientadas para a produção de novos conhecimentos de valor para o mercado e para seus clientes investem em práticas e iniciativas que colocam grande parte dos colaboradores e clientes em situação de socialização, debate e troca efetiva de aprendizados. Subjacente, também, a esse contexto está o desenvolvimento de empatia com os clientes. Quando os colaboradores da empresa atingem esse estado emotivo, podem produzir novos conhecimentos e iniciativas realmente úteis, pois foram capazes de observar analiticamente, de se colocar no lugar dos clientes e de se solidarizar com os desafios propostos por eles.
6 - Desenvolver cenários: em grande medida, os processos de planejamento estratégico das organizações não criam conhecimentos. Que oportunidade perdida! Ano após ano, os melhores talentos das organizações são chamados a produzir um planejamento que se diz estratégico, mas que nada mais é do que um orçamento-projeto. Pensar diferentes futuros, no entanto, significa trabalhar o que há de mais rico na mente humana: sua capacidade de imaginar. O exercício da imaginação é um poderoso processo de aprendizado individual e coletivo porque cria novos planos e padrões que influenciam nossa capacidade de gerar novos conhecimentos a partir da associação. Sempre aprendemos algo que tenha ou faça referência a algo anterior. Empresas que utilizam a técnica de cenários estimulam seus executivos a pensarem além do status quo e de seus referenciais tradicionais. Essa é, possivelmente, uma das melhores oportunidades de produção de novos conhecimentos estratégicos e de impacto no longo prazo.
7 - Desenvolver processos de inovação: as pessoas produzem mais idéias de valor quando sabem que estas serão consideradas, reconhecidas ou mesmo premiadas. Discute-se bastante que o capital humano é o principal ativo das organizações. Ele não pode ser entendido apenas como um repositório de habilidades e competências para cumprir tarefas. Na Era do Conhecimento, o principal estoque ou energia potencial à disposição das empresas é o potencial criativo de seus indivíduos. Estes, no entanto, precisam de canais muito bem definidos para transbordar e escoar para o benefício das empresas. Organizações cientes dessa possibilidade têm criado processos formais bem estruturados para canalizar a energia criativa de seus colaboradores. Isso inclui desde simples programas de idéias até programas de inovação sofisticados, os quais utilizam uma série de métodos estruturados e sistemáticos para estimular a geração de novas idéias, combinação das já existentes, importação de idéias de agentes externos e alocação de recursos para a implementação daquelas mais promissoras.
(Trecho extraído do livro Inovação - Quebrando paradigmas para vencer, da Editora Saraiva, coordenado por José Cláudio Terra)
Fonte: Revista Melhor Gestão de Pessoas
A VANTAGEM COMPETITIVA DAS EMPRESAS ESTÁ NAS PESSOAS.
